Identificação segura e eficiente

Você chega em casa, encosta o dedo num aparelho e – pronto! – a porta se abre. Parece cena de filme? Sim, pode ser, mas não é! Trata-se de uma realidade pouco comum hoje em dia, mas que daqui a alguns anos vai se tornar bastante rotineira… Tudo para preservar a sua segurança e também da sua família. Então, que tal conhecer um pouco mais dessas novas tecnologias desde já? 

Os aparelhos hi-tech, vistos apenas nos filmes de Hollywood (“As Panteras”, “Missão Impossível”, “Jornada nas Estrelas”, “007s” etc.), num futuro próximo, estarão disponíveis para todos. Estamos falando de sistemas eletrônicos de acesso que usam a biometria como forma de segurança. “Biometria vem de bio, que é vida, e metria, que significa medida. Ou seja, biometria é o estudo estatístico das características de seres vivos. Atualmente, entende-se por Biometria a identificação de pessoas conforme suas características físicas”, explica Marcelo Pacheco, diretor de tecnologia da Casa do Futuro. A biometria é uma técnica que usa as características pessoais únicas para identificação, a chamada identificação segura. O conceito da biometria não é algo novo… No tempo dos faraós do Egito já se usavam as características físicas de pessoas para distingui-las: cor dos olhos, e cicatrizes eram algumas delas. No século XIX, a biometria passou a ser usada também para trabalhos de cunho judicial e no século XX em documentos de identidade. A aplicação da biometria em sistemas de computacionais, sim, é nova e recente. 

Antigamente, os sistemas de controle de acesso utilizavam senhas, crachás com códigos de barras, tarjas magnéticas ou cartões de proximidade para a identificação e registro das pessoas cadastradas. Cartões, senhas, todas essas tecnologias, poderiam ser utilizadas indevidamente caso fossem perdidas ou roubadas, e foi por isso que surgiu o uso da biometria. “Como cada pessoa possui características próprias que mais ninguém possui, esses métodos tornaram-se bastante utilizados, principalmente pela sua maior confiabilidade”, completa Sigismund Schindler, diretor de tecnologia da SigSchindler. 

No Brasil, estes sistemas foram introduzidos na década de 90. A leitura das digitais, retinas, face, voz e íris são algumas dessas técnicas de identificação.. O que é mais utilizado aqui no Brasil é a leitura da digital – que, inclusive, é usada em documentos importantes como RG. Segundo Selma Migliori, presidente da ABESE (Associação Brasileira das empresas de Sistemas eletrônicos de Segurança), para cada local existe um projeto ideal, um equipamento adequado para a necessidade específica. “As maiores aplicações hoje são os pontos de leitura da digital. Em escritórios comerciais e academias, o crescimento do uso desses sistemas é muito grande. Quando uma empresa opta por esse tipo de aplicação, ela opta pelo conforto e segurança do próprio cliente dele”, completa. 

A biometria usando a impressão digital funciona a partir do cadastramento da mesma através de um leitor, um scanner, biométrico que capta o desenho da digital da pessoa. “No dedo, há vários pontos de interseção, que são aquelas curvaturas, as linhas. Cada dedo tem em média 40 pontos de interseção, que são únicos. Após a captura da digital o software transforma a digital em cálculo matemático, que fica guardado em um arquivo. Quando uma pessoa já cadastrada quer ter acesso a algum lugar, ela encosta o dedo no sensor e, a partir daí, é feita uma comparação entre o cálculo matemático extraído naquele exato momento com o que há no cadastro”, detalha Eduardo Todeschini, diretor comercial da BioAccess. 

Esses leitores foram evoluindo com o tempo. Os primeiros eram chamados de capacitivos, que se desgastavam com facilidade, perdendo também a sua funcionalidade com pouco tempo de uso e não eram muito precisos. A segunda geração foi a dos óticos, que tiram uma foto da digital. “Os óticos são bastante precisos e rápidos. O único inconveniente é que não funcionam muito bem em ambientes abertos sujeitos à iluminação natural. O scanner mais moderno utiliza a eletroluminescência, ou seja, energiza a digital da pessoa e a capta através de uma superfície sensível. Este último é totalmente insensível à luz natural e é mais recomendado para ambientes externos”, completa Schindler. 

Apesar do reconhecimento da digital ser o tipo de biometria mais usado no Brasil, o reconhecimento da face é o tipo mais rápido. Neste tipo, é utilizada a imagem da face de uma pessoa para fazer a autenticação. Através de um padrão que define um rosto, o algoritmo compara algumas informações da face – como distância entre os olhos, inicialmente – para reconhecer uma pessoa. “Este tipo de biometria pode reconhecer até 10 pessoas ao mesmo tempo por segundo, mas para isso há algumas exigências relacionadas ao ambiente e ao equipamento de reconhecimento utilizado, para que se tenha um bom resultado. Possuímos este sistema instalado na Presidência da República”, explica Alessandro Sallowicz, gerente de Marketing de Produtos da Telemática Sistemas Inteligentes Ltda. 

Tanto os sistemas de biometria que usam a digital quanto o da íris não têm muita diferença, todos funcionam de forma semelhante. “Ao ler pela primeira vez as informações do usuário, o sistema converte estas determinadas características, únicas de cada pessoa, em um banco de dados e as memoriza. No momento da identificação, o sistema procura neste banco de dados aquele registro que mais se aproxima do original. Esta busca ocorre em fração de segundos. Estima-se que existam mais de 80 mil pontos de identificação biométrica. No entanto, quanto maior o banco de dados, maior o tempo de resposta do sistema”, conta Pacheco. Este tipo de sistema é muito comum em escritórios, academias e indústrias com o objetivo de identificar o usuário para uma determinada ação. Em condomínios e residências, o uso ainda não é tão comum, mas devido à facilidade e conforto é uma solução que tem tudo para se expandir. 

O condomínio Barra Golden Green já utiliza este sistema há muito tempo, onde o acesso à praia e ao clube é controlado através da digital. “Optamos pelo acesso através da digital por causa da segurança e do conforto. Com este sistema não há o desgaste de ter que levar a carteirinha. Você leva o dedo com você”, diverte-se Eudes Bernadino, administrador do condomínio. Durante a procura por um sistema adequado para o Golden Green, cogitou-se a hipótese de usar um cartão com código de barras, entretanto, o trabalho que este sistema daria fez com que mudassem de opção. ” Teríamos trabalho, pois você pode perder o cartão. Você paga mais com a biometria, já que há um custo mensal, porém vale a pena. Tenho o controle todo através do computador”, diz. Lá, são cadastradas as digitais de dois dedos, pois se houver algum problema – modificação de digital, por exemplo – o condômino não terá que se recadastrar. “Há resistência. Para tudo há! Há pessoas que não gostam de deixar a sua foto, pessoas que não gostam de deixar a sua digital, pessoas que não querem apresentar nada, querem chegar e entrar, mas este percentual é muito pequeno”, comenta Bernardino.

Antigamente, os acessos era feitos no famoso “olhômetro”, onde entravam também amigos de condôminos eo clube ficava extensivo a todos. “Isso chateava os demais condôminos, pois eles queriam paz, sossego, e, de certa forma, estavam perdendo a privacidade. Foi quando surgiu a necessidade de ter um controle de acesso que, de fato, funcionasse. Hoje, temos três pontos de acesso com biometria: no portão que dá acesso à praia, acesso à piscina e acesso ao clube de golf, todos interligados no mesmo arquivo. Atualmente, nós temos um cadastro sempre atualizado dos moradores, porque é de interesse deles”, detalha. Toda vez que há alguma alteração, altera tudo no sistema de acesso ao condomínio Barra Golden Green. Esse sistema também ajuda no controle geral, seja do condômino, visitante, funcionários do condomínio, funcionários dos condôminos, enfim, todos são registrados. O síndico sabe a hora exata que as pessoas entraram e saíram, quantas vezes foram ao condomínio, tudo através de relatórios. “Através deste controle podemos fazer estatísticas, além de ajudar a todos. Nós tivemos o caso de uma empregada que estava aqui há dias e não sabia qual era o prédio, se perdeu dentro do condomínio. Como já tínhamos tudo cadastrado, ficou mais fácil saber qual era o prédio certo. Sem falar que não é qualquer um que está aqui dentro”, relembra. 

Visando esta facilidade e conforto para os condôminos, grandes empreendimentos já estão sendo projetados com o sistema de identificação digital em seus controles de acesso. No condomínio Le Jour, do Grupo Zayd, o acesso será através da digital. “Todo o acesso será através deste sistema, seja a pé ou de carro. Assim que entrar no condomínio, o condômino será cadastrado. No caso do visitante, não há como fazer muito diferente do que já é. Chegou uma visita, o porteiro interfona, a pessoa verifica quem é através de uma câmera, que faz parte do nosso sistema de comunicação interna. Além disso, haverá sistema de monitoramento com infra-vermelho e alarmes”, explica Fábio Ferreira, do Marketing da Zayd.

Em condomínios, o processo de cadastramento e acesso se dá como o de cartão. O sistema de acesso conta com um computador, que gerencia vários equipamentos como catracas, cancelas ou portas. Ligados a um computador, esses equipamentos permitem o cadastramento de todas as pessoas através de um leitor. A pessoa vai lá, digita o nome da pessoa, coleta a digital e tudo isso fica armazenado no banco de dados do computador. Há duas formas de se trabalhar com este sistema de acesso: online e offline. “Com o sistema offline, se a rede cair tudo continua funcionando, porque a base de dados está armazenada no equipamento e não no PC. Porém, há uma limitação, pois no offline só consigo cadastrar 4mil usuários. Se eu pego um condomínio com mais de 10 mil pessoas o sistema offline fica complicado. O sistema online tem a vantagem para quando eu preciso de um número maior de cadastro, cerca de 8 ou 10 mil pessoas. Para condomínios, o mais indicado é o sistema offline”, explica Todeschini. Além do uso nas partes comuns, o uso dos sistemas biométricos dentro dos apartamentos é a nova aposta do mercado – uma forma de o condômino controlar o horário de entrada e saída dos empregados em determinados lugares. 

No Golden Green, o cadastramento é feito logo que o condômino se instala. Por ser um condomínio grande, cada prédio possui o seu síndico, e cada um deles é responsável pelo cadastramento dos novos condôminos. Quando o condômino já vai morar ele passa por uma espécie de reunião com o síndico e o administrador. Neste momento, é comunicada a existência de um clube e é entregue a ele um kit com Convenção, Regulamento iInterno, cadastro no prédio, a ficha do clube e uma lista de telefones. “O condômino devolve a ficha de cadastramento do prédio e a do clube. Todos esses dados são cadastrados no sistema, e na primeira visita que ele faça ao clube já aparecem todos os seus dados, com exceção da foto e a sua digital, só captadas examente neste momento. Da próxima vez, o condômino só precisa colocar o dedo e entrar”, completa Bernardino. Quando o condômino sai o síndico informa ao clube e aquele cadastro é deletado, o que demanda um trabalho de atualização constante. 

Vale destacar que este tipo de sistema não combate a violência, já que o objetivo da biometria é fazer uma identificação segura. Não adianta ter um equipamento biométrico na porta de uma sala, sendo que ela é de divisória e você consegue abri-la com um simples pontapé. “A biometria é a identificação segura, pois garante que é a pessoa certa que está tendo acesso. É uma ferramenta, um dos níveis de segurança para uma casa, escritórios etc.”, explica Todeschini. 

Num futuro não muito longe, a biometria deverá substituir de uma vez por todas o uso de cartões, chaves, crachás e senhas, pois os equipamentos de segurança eletrônicos com sensores biometricos estão passando por um intenso processo de barateamento. “A biometria evita fraudes, já que um dedo você não esquece em casa. É um controle mais eficaz pois você está reconhecendo de fato aquela pessoa. Com a queda do dólar houve uma abertura do mercado. Os aparelhos importados chegaram bastante acessíveis no Brasil. Os projetos, hoje em dia, estão com um custo/benefício interessante para o consumidor”, conta Mogliori. Com a popularização dos equipamentos, a demanda crescente e os avanços tecnológicos, os equipamentos de segurança eletrônica são aperfeiçoados e ganham novos usos a cada dia. Atualmente, há no mercado sensores capazes de identificar a presença de invasores por infravermelhos, radares ou até sensores de temperatura. E esta tecnologia permite, por exemplo, que o sistema não seja acionado acidentalmente por um animal de estimação. 

A identificação de pessoas através da biometria já é uma realidade e devido a todas as facilidades, dificilmente, outro sistema a substituará. “Daqui a algum tempo as pessoas irá entrar e não precisarão apresentar nada, uma forma totalmente intrusiva. A biometria é a forma de identificação do futuro, e a única a barreira que existe é o custo”, Todeschini. “A tendência é que esse sistema seja cada vez mais comum em nosso dia-a-dia. É provável que isso cresça muito nos próximos anos, principalmente, porque esse tipo de solução está caminhando para se ter um custo mais atrativo”, declara Sallowicz. 

“O uso dos scanners biométricos é um caminho sem volta. Eles estarão presentes em todos os locais privados, sejam eles academias, condomínios residenciais e comerciais, colégios, empresas etc.
A confiabilidade e a praticidade crescente desses dispositivos acabarão gradualmente com o uso das chaves metálicas que conhecemos hoje. A biometria será cada vez mais utilizada para acessar o computador, acionar o carro, abrir a fechadura da porta, liberar o uso do celular, entre outros fins”, diz Schindler. “A biometria é uma tendência mundial, temos a expectativa de crescimento de 7%, pelo menos, para 2008″, conta Mogliori. Realmente, este sistema ainda tem muito o que se expandir e vai fazer parte da rotinadas pessoas. Há quem diga que o sistema se desenvolverá de tal maneira que não será necessário usar o dedo, nem íris, nem nada. A gente espera, e quando surgir contamos para vocês.
 

Sistemas de identificação  

Impressão digital:
Método mais utilizado no mundo todo, mais barato e seguro, pois só existe uma chance em 100 bilhões de uma pessoa ter a mesma digital que a outra, porém nem todas as pessoas possuem uma impressão boa o suficiente para a coleta. Há três tipos de dispositivos para esta coleta: ótico (funciona através da reflexão da luz), capacitivo (mede o calor que sai da digital) e ultra-sônico (envia sinais sonoros e analisa o retorno deles como se fosse um radar).

Voz:
O reconhecimento digital da voz é um sistema com futuro pela frente, considerado por algum especialistas como o sucessor dos leitores de impressão digital. Este sistema transforma a voz em um texto e confirma em um banco de dados. O funcionamento deste sistema é um pouco complicado, pois nem todo ambiente é propício ao uso devido à poluição sonora.  

Irís:
O reconhecimento de íris é uma tecnologia segura, até seis vezes mais que a impressão digital, pois é uma característica única que não se altera mesmo com as ações do tempo. O leitor coleta os dados da parte colorida do olho em menos de vinte segundos e os armazena em um banco de dados. 

Face:
A identificação através da face é o sistema menos usado. Através de uma série de fotografias é possível identificar o usuário, e não é necessário fornecer características pessoais ao sistema como nos demais sistemas.  

Palma da mão:
É o reconhecimento da geometria das mãos do usuário, o que inclui os dedos também. Basta colocar a mão no sensor. É indicado para locais onde haja uma grande movimentação de usuários devido à precisão, que é baixa, e a velocidade, que é rápida.

Retina:
A retina é uma das poucas partes do corpo que não mudam no decorrer do tempo. O leitor mede a configuração dos vasos sangüíneos, o custo é baixo e a precisão alta. É preciso olhar fixo para um ponto luminoso durante o funcionamento do leitor e para quem usa óculos é preciso retirá-los.

Sistema Online X sistema Offline: 

No sistema online, há vários equipamentos espalhados no condomínio: três catracas na entrada principal, duas na garagem e uma porta em cada andar, por exemplo. Quando você entrar no condomínio, vai ter que colocar o dedo no equipamento para capturar a impressão digital, que será enviada para o computador central. Neste computador, há um software que faz a comparação da impressão captada naquele instante com a impressão cadastrada anteriormente. Ele identifica a digital e diz se é a pessoa certa, depois envia uma reposta para o equipamento, que, por sua vez, reconhece e libera o acesso. Se, eventualmente, a rede cair, pára de funcionar e ninguém entra. 

Já no sistema offline, apesar de serem os mesmos equipamentos, a única coisa de diferente é que, ao cadastrar a impressão digital, ela é enviada para o equipamento, com strês catraca na entrada principal, duas na garagem e uma porta em cada andar, como descrito anteriormente. Não há computador. As impressões ficam armazenadas nos equipamentos, e quando uma pessoa chegar ele vai comparar na mesma hora as digitais. Assim, se o sistema cair não há problemas para o acesso. 

Saiba mais
www.abese.org.br